Um salvador feliz por nos salvar

Um salvador feliz por nos salvar

Deus realmente nos ama. Ele ama nos curar, restaurar e salvar. Ele não é um Deus que o deprime ou o coloca para baixo, mas ele é um Deus amoroso.

Desde o princípio no jardim do Éden o diabo tentou passar a imagem de Deus como sendo mal. Ele disse para Eva que Deus estava negando algo para ela.

O diabo sempre procura convencer as pessoas que Deus não é generoso, que ele está retendo alguma coisa. Sempre parecendo que Deus não está interessado em nos abençoar

Mas a cruz de Cristo destrói todas essas mentiras. Deus nos amou de tal maneira que, mesmo não tendo que nos dar coisa alguma, decidiu dar-nos seu próprio filho.

Por isso Deus hoje é justo em nos justificar. Mas como pode o homem ser justo diante de Deus? Até mesmo os nossos pensamentos são pecaminosos. Como então pode o homem ser justo diante de um Deus com padrões perfeitos?

Deus é um Deus santo. A palavra declara que Ele é justo em todos os seus caminhos. Se Deus negasse a sua santidade todo o universo se desintegraria. Deus é santo e justo, mas a sua essência é amor.

Quando olhamos para a cruz vemos que o nosso Deus se entrega, se sacrifica e se dá por amor. Deus nos ama por causa dele mesmo e não por causa de algo bom que porventura houvesse em nós. Deus é bom para nós porque ele é bom e não porque nós somos bons.

Na sua justiça Deus encontrou um meio de expressar seu amor. Sendo ele justo teve de punir nossos pecados, então ele enviou seu filho para ser punido em nosso lugar. Quando Cristo morreu pelos nossos pecados a justiça e a santidade de Deus foram satisfeitas.

Desde o princípio quando Deus mesmo sacrificou o cordeiro no Éden para vestir a Adão e sua esposa, Deus pintou o quadro que sem sangue não há remissão de pecado.

Durante séculos os judeus sacrificaram o cordeiro na páscoa e nos sacrifícios diários anunciando que o Cordeiro viria. Até que chegou o dia em que João Batista apontou para Jesus e declarou: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!”

Deus não pôde achar em lugar algum um homem que pudesse fazer a redenção, pois em todo o homem há pecado. Mas por fim a virgem engravidou. A semente de Deus foi colocada na mulher.

O Senhor Jesus não tinha a natureza do pecado. Não houve sangue humano na geração de Cristo. A placenta no útero alimenta o bebê e elimina os dejetos, mas não participa do sangue do bebê. Nem Maria ou José tiveram qualquer participação na natureza de Cristo. Ele nasceu para ser o Cordeiro perfeito para o sacrifício pelos nossos pecados.

Na cruz sua justiça foi satisfeita, de tal maneira que se hoje Deus rejeitasse um pecador ele estaria dizendo que o sacrifício de Cristo foi inútil. Ele teria de se desculpar com Cristo, mas Deus nunca pede desculpas pela simples razão de que ele nunca comete erros.

Dessa forma pela Cruz a justiça de Deus é grandemente realçada. Como juiz Deus nunca poderia deixar o pecado impune, mas, em Cristo, ele mesmo pagou pelo pecado em nosso lugar.

Quando o diabo questiona como um pecador pode adorar a Deus como um filho, o Pai simplesmente aponta para cruz, se o diabo diz que todo pecador deve morrer, o Pai simplesmente lhe mostra a cruz. O diabo é um legalista que jamais poderá compreender a graça de Deus.

Mas Deus não poderia simplesmente perdoar e esquecer o nosso pecado sem todo o sacrifício da Cruz. Deus não poderia fazer isso porque todo pecado deve ser punido. Graças a Deus porque a punição dos nossos pecados foi completa na Cruz.

Na Cruz Deus nos fez justos. Se ele não nos tratar como justos quando vamos a ele hoje, ele seria injusto. Se ele fizesse isso estaria dizendo que o sacrifício de Cristo foi inválido. Por isso é tão sério tentar se justificar diante de Deus sem a cruz. Quando agimos assim estamos desprezando o imenso sacrifício do Senhor Jesus.

Quando confiamos em algum tipo de justiça própria desprezamos o Calvário e assim saímos de debaixo do favor de Deus. Decaímos da graça e a cruz se torna sem nenhum poder sobre nós. Deus não nos declara justo por misericórdia ou compaixão, mas por causa da sua justiça. Uma vez que a penalidade do pecado foi paga, então ele deve nos declarar justos.

Mas a Cruz não mostra só a justiça de Deus, mostra também o seu amor, pois ele entregou seu próprio filho por nós. Na cruz a justiça e o amor se encontraram. O amor não negou a justiça e a justiça foi a prova do amor. Hoje Deus é justo ao nos declarar justos. por outro lado, a cruz mostra também o quão terrível é o pecado, pois foi necessária a vinda do próprio filho de Deus para pagar a sua pena.

Ele não foi contrariado para a cruz

Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Jo. 12:27

Em João 12 o Senhor diz que a sua alma está angustiada, mas em momento algum ele pede para o Pai livrá-lo da cruz. Na verdade ele diz que foi precisamente para isso que ele veio.

No entanto em Mateus 26:39 lemos que no Getsêmani novamente o Senhor se angustiou e orou para que o Pai passasse dele aquele cálice.

Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres.

Mt. 26:39

A interpretação aceita historicamente diz que o Senhor Jesus estava perguntando ao Pai se realmente não havia outro meio de salvar o homem. Creio que isso está correto. Mas muitos pensam que o Senhor não queria nos salvar e estava pedindo para não ir para a cruz. Eu realmente não creio nisso porque o Senhor disse que foi para aquele momento que ele veio.

Em Hebreus 5:7 vemos uma percepção bem diferente do Getsêmani. O autor de Hebreus diz que o Senhor clamou com lágrimas e súplicas para ser livrado da morte e foi ouvido.

Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade. Hb. 5:7

Esse clamor certamente não foi para ser livrado da morte na cruz, pois nesse caso não teria sido ouvido. Foi então numa outra ocasião. A única outra ocasião foi no Getsêmani. Podemos concluir que naquele momento em que suava sangue o Senhor estava morrendo, ele então clamou ao Pai para livrá-lo da morte naquele instante, pois ele deveria morrer na cruz. Nesse caso faz sentido concluir que ele foi livrado daquela morte no Getsêmane para que pudesse cumprir sua missão morrendo por nós na cruz.

Isso nos dá um quadro maravilhoso do nosso salvador. Ele não estava pedindo para ser poupado da cruz. Ele estava na verdade pedindo o contrário. Ele não queria morrer antes de chegar ao calvário. É como se ele dissesse: “eu vim para morrer na cruz. Não posso morrer aqui antes de cumprir minha missão. Livra-me dessa morte para que eu entregue na cruz a minha vida!”

É importante também entendermos que quando o Senhor perguntou se era possível passar dele o cálice, estava na verdade perguntando se havia alguma outra possibilidade, alguma outra maneira de salvar o homem. A resposta do céu foi definitiva. O homem não pode ser salvo por sua boas obras, caráter ou esforço. Não há salvação em nada e nem em ninguém fora de Cristo e seu sacrifício na cruz.

Eu sei que é precioso pensar que o Senhor era homem como nós e certamente ele sentia repugnância ao pecado por causa da sua natureza santa, por isso ele pediu para que passasse dele o cálice.

Mas nesse caso ele teria ido para a cruz apenas por obediência. Isso é ótimo, mas é maravilhoso também perceber que ele foi para a cruz porque tinha o mesmo amor que o Pai tem por nós. 

Salvos de uma maneira graciosa

Quando os nossos problemas são o resultado de nossas próprias escolhas Deus ainda pode nos ajudar? Se ele fosse um salvador contrariado ele diria: “você entrou nesse buraco, agora você mesmo trate de sair dele!” Mas não é isso que o Senhor nos diz.

No Velho Testamento tinha a figura do parente resgatador. Se um israelita ficasse pobre, e não importava a causa de sua pobreza, um parente próximo poderia redimi-lo. Somente poderia redimi-lo alguém que fosse seu parente próximo, alguém que fosse rico e quisesse fazê-lo.

Se teu irmão empobrecer e vender alguma parte das suas possessões, então, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que seu irmão vendeu. Lv. 25:25

Talvez o parente estivesse disposto a resgatar aquele que se empobreceu por causa de uma crise ou acidente, mas ele não queria redimir um parente que administrou mal suas finanças. Mas esse texto diz respeito a Cristo. No Éden o homem foi feito rico com tudo o que ele precisava, mas por causa de um ato ele perdeu tudo.

Adão não foi enganado, caiu porque quis. No entanto o Senhor se fez nosso parente próximo para nos resgatar. E ele não faz isso somente para aqueles que pecam involuntariamente. Ele nos resgatou a todos.

Ele era rico para nos resgatar?

Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos. II Cor. 8:0 Mas ele quer nos resgatar?

Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos Hb. 2:11

Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade. Hb. 11:16

Mas o resgatador poderia resgatar mesmo aquele que se vendeu como escravo?

Quando o estrangeiro ou peregrino que está contigo se tornar rico, e teu irmão junto dele empobrecer e vender-se ao estrangeiro, ou peregrino que está contigo, ou a alguém da família do estrangeiro, depois de haver-se vendido, haverá ainda resgate para ele; um de seus irmãos poderá resgatá-lo. Lv. 25:47-48 

Veja que esse que se vendeu estava debaixo da maldição da lei. Em Deuteronômio 28 lemos que quando eles não guardavam a lei o resultado seria pobreza e escravidão ao estrangeiro.

Veja que ele não era bom e nem justo, não merecia ser resgatado, no entanto um irmão que se compadecesse dele poderia resgatá-lo, ou seja, pagar o preço pela sua liberdade. Nenhum de nós escolheu ser parente de ninguém, mas o Senhor escolheu ser o nosso parente próximo.

Um bom pastor

O Senhor não é apenas o salvador, mas um Salvador que nos salva com amor. Como eu falei semana passada, se o pastor da centésima ovelha fosse um salvador mal-humorado o resgate da ovelha teria um sentido completamente diferente, ele estaria reclamando, criticando, estaria muito contrariado em ter deixado sua casa para achar a ovelha e no final do resgate ainda daria uma lição naquela ovelha.

O Senhor não é um salvador assim. Ele está feliz de encontrar a ovelha. Quando chega em casa ele dá uma festa por tê-la achado. Ele não fica todo o tempo lembrando como você é uma ovelha problemática, mas ele é um salvador feliz por salvá-lo.

Nunca pense que Deus desistiu de você porque você caiu tantas vezes que ele perdeu a paciência. Não deixe que o maligno lance nenhuma dúvida sobre o quanto ele pacientemente ama você e o traz de volta para os braços dele.

Foi mais trabalhoso salvar o homem do que criar o universo, para criar o universo, bastou ele dizer: “Haja luz!”. E tudo veio a existir. Mas, para realizar a redenção, foram necessárias as riquezas da graça de Deus. Não seria possível apenas dizer: “Haja a redenção!”. O caminho da redenção foi muito mais difícil.

Foi necessário que o Espírito Santo gerasse o redentor. Mas, antes, Ele teve de encontrar a virgem apropriada para concebê-lo. Quanta graça foi necessária para que o Deus infinito ficasse nove meses no ventre de uma mulher! Quanta graça foi necessária para o próprio Deus, que é santo, vir habitar no meio de pecadores e se chamar Deus conosco, Emanuel!

Foi necessária uma graça extraordinária para que o Emanuel aprendesse a obediência pelo sofrimento, sofresse a tentação do pecado e a presença de pecadores ao Seu redor. Foram trinta anos vivendo como carpinteiro, limitado pelo tempo e pelo corpo físico. Embora fosse chamado amigo de pecadores e os amasse, Ele sofreu todo tipo de oposição, foi perseguido e caluniado. Depois de três anos de ministério, foi traído por alguns e abandonado por todos. Pense quanta graça foi necessária para fazer tudo isso!

Ele se entregou aos que vieram prendê-Lo. Poderia ter pedido ao Pai que enviasse doze legiões de anjos para o salvar, mas não o fez. (Mt 26.53). Quanta graça foi necessária para esse Deus ir para a cruz sofrer tanta humilhação e vergonha! Quanta graça precisou ao escutar o povo dizendo que escolhia a Barrabás!

Depois de preso, foi julgado diante do sumo sacerdote, de Pilatos e de Herodes. Foi, então, pregado na cruz e permaneceu dependurado lá por seis horas, das nove da manhã às três da tarde. Que grande graça foi necessária para tudo isso!

Quanta graça foi necessária para entrar na morte, ser condenado no lugar do homem, ser levado ao inferno e depois ressuscitar! A redenção foi um trabalho mais penoso e mais difícil que a criação de todo o universo. Por causa das riquezas da graça de Deus, nós somos hoje feitos filhos de Deus pela redenção do Seu sangue.

Conclusão: 

“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber aos que crêem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.”(Jo 1.12-13)

Confissão: Eu recebi o poder de ser feito filho de Deus porque eu creio no seu nome. Sou nascido de Deus e por isso sou nova criatura. Eu fui gerado da semente de Deus e tenho a sua natureza. Como filho, eu fui feito herdeiro junto com Cristo. Eu carrego o nome da família de Deus, o nome que abre portas e desfaz as obras do inimigo.