A diferença entre a vida eterna e o reino

A diferença entre a vida eterna e o reino

Estamos falando sobre a vida eterna e o reino de Deus, semana passada falamos que muitos de nós pensam que o reino dos céus é o mesmo que a vida eterna. Assim eles confundem a Palavra de Deus, tomando a condição para receber o reino como sendo a condição para a vida eterna.

Entretanto há uma clara distinção entre os dois, uma pessoa pode perder o reino dos céus, mas ela não perderá a vida eterna. Alguém pode perder a recompensa, contudo não perderá o dom ou presente de Deus.

Entenda que tudo é pela graça, lembro que o vencedor só pode ser vencedor pela graça, ensinei sobre isso há algumas semanas atrás, o vencedor é aquele que não recebe a graça em vão, o vencedor é aquele que procura agradar a Deus, o vencedor é aquele que procura receber a recompensa e o vencedor recebe a herança e a recompensa.

Semana passada falamos sobre as três primeiras diferenças entre o vencedor e o derrotado, essa semana falaremos as outras quatro. Só para relembrar as 3 primeiras são:

Primeira Diferença – quanto a posição

Segunda diferença – quanto a forma como é adquirido

Terceira diferença – quanto a duração

Hoje vamos entrar a partir da quarta.

Quarta diferença – quanto ao sofrimento

A salvação não depende de nada que façamos, mais o reino as vezes implica em sofrimento e privação.

E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. Mt.19:24

Para ser salvo não tem que ser pobre. Ninguém crê que para ser salvo tem que vender tudo pois ultimamente tem havido até muitos ricos e pessoas famosas na igreja. A salvação é um presente, eu não tenho que dar nada em troca para ser salvo.

No entanto se eu sou salvo, mas sou avarento, mesquinho com meu dinheiro, e por isso eu não vou receber recompensa da parte de Deus, pois nesse momento não estou vivendo como um vencedor.

A salvação é pela graça, mas somos vencedores quando entendemos a graça. Quem entende a graça que recebeu não será avarento.

 Apocalipse 20 nos mostra que os mártires recebem o reino, embora não diga que sejam os únicos a receberem o reino (v.4). A Bíblia, entretanto, nunca nos mostra que o homem deva ser martirizado a fim de receber a vida eterna. Entretanto, o reino é diferente. O reino requer esforço. Pode até mesmo requerer o martírio para obtê-lo.

Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. Ap. 20:4

Quinta diferença – quanto a forma de Deus tratar

A salvação é dada, mas o reino não pode ser dado e sim conquistado.

Perguntou-lhe ele: Que queres? Ela respondeu: Manda que, no teu reino, estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita, e o outro à tua esquerda. Mas Jesus respondeu: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos. Então, lhes disse: Bebereis o meu cálice; mas o assentar-se à minha direita e à minha esquerda não me compete concedê-lo; é, porém, para aqueles a quem está preparado por meu Pai. Mt. 20.21 a 23

Por que o Senhor não pôde atender o pedido daquela mãe? Porque o reino não é algo que se dá, é algo para o qual alguém se qualifica. O reino é uma recompensa.

E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. Lc. 23.42-43

O pedido do ladrão envolvia o reino, mas a resposta de Jesus foi em relação a salvação. Com relação ao reino Ele não podia fazer nada já que o ladrão (que não era bom) não tinha obras, estava convertendo na hora da morte.

Algumas pessoas pensam que a morte tem algum poder de nos aperfeiçoar. Isso é um erro. Se morremos ignorantes chegaremos lá ignorante e se morremos sem obras chegaremos lá sem obras.

Bem aventurado é aquele que tem a oportunidade de servir o Senhor em vida, porque as suas obras vão acompanha-lo. Quem não tem obras vai chegar de mãos vazias diante de Deus.

Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham. Ap. 14:13

Que obras são essas? A grande obra é a apropriação da nossa herança. É a vitória da vida pela fé na obra consumada de Cristo.

A morte não tem o poder de acrescentar nada a ninguém. Quem morre criança na fé, chega no céu criança na fé. Ele não vai adquirir num piscar de olhos conhecimento ou algo assim. Quem não teve a oportunidade de fazer algo aqui não vai ser porque morreu que ele repentinamente vai ter obras diante do Senhor.

O milênio será o tempo em que o Senhor vai completar a obra na vida de muitos crentes. Eu creio que a obra é chegar até a estatura de Cristo e ao pleno conhecimento da verdade. O Senhor vai cumprir a sua promessa.

Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. Fl. 1:6

Sexta diferença – quanto a graduação

A vida eterna é igual para todos, mas no reino haverá diferença de graduação entre crente e crente.

Cada um vai ganhar a recompensa de acordo com suas obras. Quem não tem obras não terá recompensa.

No reino, há diversos níveis de graduação. Alguns receberão dez cidades, outros receberão cinco (Lc 19:17-19). Alguns receberão meramente uma recompensa, mas outros receberão um grande galardão. Alguns ganharão uma rica entrada no reino (2 Pe 1: 11). Alguns entrarão no reino sem uma rica entrada. Portanto, existe uma diferença em graduação no reino.

Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades. Lc. 19:17-19

Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. II Pe. 1:11

Mas nunca haverá uma questão de graduação com relação à vida eterna. A vida eterna é a mesma para todos. Ninguém recebera dez anos a mais que o outro. Não existe diferença na vida eterna, todavia no reino há diferença.

O reino e a vida eterna são duas coisas diferentes. A condição para a salvação é a fé no Senhor. Além da fé, não há outra condição, pois, todos os requisitos já foram cumpridos pelo Filho de Deus. A morte de Seu Filho satisfez todas as exigências de Deus.

Mas entrar no reino dos céus é outra questão: requer obras. Evidentemente também essas obras são feitas segundo a graça pela força do Senhor em fé.

Salvação é uma questão de conhecermos a Deus, mas o reino é uma questão de sermos conhecidos por Ele.

A questão da vida eterna é completamente baseada na obra do Senhor Jesus.

Contudo, a questão do reino está baseada nas obras que homem faz para não tornar a graça vã.

Todavia, mesmo quem se converteu mais tarde, já velho, poderá ter uma recompensa igual aos que se converteram mais jovem e que tiveram mais tempo de acumular tesouros no céu. É assim porque Deus olha a intenção do coração.

Podemos ver esse princípio na Parábola dos trabalhadores da vinha em Mateus 20:

Mt. 20:8 a 16

Ao cair da tarde, disse o senhor da vinha ao seu administrador: Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, começando pelos últimos, indo até aos primeiros. Vindo os da hora undécima, recebeu cada um deles um denário.  Ao chegarem os primeiros, pensaram que receberiam mais; porém também estes receberam um denário cada um. Mas, tendo-o recebido, murmuravam contra o dono da casa, dizendo: Estes últimos trabalharam apenas uma hora; contudo, os igualaste a nós, que suportamos a fadiga e o calor do dia. 

 Mas o proprietário, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não combinaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te; pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?  Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. 

Mais uma vez quero ressaltar Salvação é uma questão de conhecermos a Deus, mas o reino é uma questão de sermos conhecidos por Ele.

Sétima diferença – quanto a definição

A Vida eterna já está definida por isso podemos ter certeza de salvação. Todavia ser um vencedor é uma questão que está em aberto, podemos ser hoje e não ser amanhã, ou vice-versa.

Salomão é um exemplo de alguém que começou bem a corrida, mas terminou mal.

Jacó, por outro lado, começou mal a corrida, mas terminou bem. A recompensa, portanto, é algo que permanece em aberto e alguém que possui uma coroa hoje pode não tê-la amanhã.

Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Ap. 3:11

Oitava diferença – quanto ao julgamento

Os crentes do Novo Testamento serão julgados pelo tribunal de Cristo, enquanto os ímpios serão julgados por Deus no julgamento do grande trono branco.

O julgamento dos crentes no tribunal de Cristo será antes do Milênio por ocasião da vinda de Cristo, mas o julgamento do trono branco será depois do Milênio.

O julgamento dos crentes não é para perdição e sim para recompensa, mas o julgamento dos ímpios será para condenação.

Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo. II Cor. 5:10

Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Rm. 14:10 e 12

Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus. I Cor. 4:4-5

Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. I cor. 3:13-15

Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras. Mt. 16:27

E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras. Ap. 22:12

Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. Hb. 10:30-31

Isto mostra que embora salvos para sempre e perdoados por Deus os crentes estão ainda sujeitos a julgamento do Senhor, não para perdição, mas para recompensa ou disciplina.

O julgamento dos ímpios, por outro lado será no julgamento do grande trono branco depois do Milênio.

Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta, de cuja presença fugiram a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros.  Deu o mar os mortos que nele estavam. A morte e o além entregaram os mortos que neles havia. E foram julgados, um por um, segundo as suas obras. Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo. Ap. 20:11-15