Fixando os olhos na Graça

Fixando os olhos na Graça

Há alguns anos temos ministrado sobre a graça e o favor de Deus, e isso tem mudado nossa realidade como igreja. Entretanto, ao chegar ao final de mais um ano, como de costume, muitos irmãos param para avaliar o ano que termina e para projetar o ano seguinte. Essa pausa é muito importante, mas precisamos fazê-la da maneira correta.

É muito triste quando ao fazer essa pausa as pessoas olham as metas não alcançadas e pelo fato de terem metas não alcançadas eles tiram os olhos do favor e a graça de Deus sobre eles.

Com isso muitos concluem que não estão debaixo do favor de Deus, a ponto de se sentir frustrado, mas essa analise é superficial e injusta, porque Deus sempre manifesta seu amor, favor e graça sobre as nossas vidas.

Percebemos claramente que alguns irmãos limitaram o favor de Deus a coisas muito específicas, e quando essas coisas não acontecem, pensam que não receberam do favor de Deus em área nenhuma.

Precisamos estar certos sobre como a graça e o favor de Deus se manifestam em nossas vidas para não cairmos no erro de acharmos que estamos fora do favor de Deus.

Precisamos nos lembrar que quando cremos de forma errada, desenvolvermos um comportamento errado. Crer corretamente é a chave para desfrutarmos de uma vida abundante.

Por isso, quero iniciar essa ministração tratando de uma verdade que não pode ser confundida. Esta é a verdade de que “a graça de Deus é uma pessoa (Cristo), e não uma bênção.” Isso significa que se você recebeu Cristo, você recebeu a graça de Deus e, portanto, você já tem o favor de Deus em sua vida. Alegrem-se, queridos, pois já temos a graça e o favor de Deus em nós!

Alguns não conseguem entender por que uns prosperam e outros não; por que uns estão desempregados, enquanto outros estão empregados; por que a célula de um multiplicou, e a de outro não.

Tenho percebido que essas e tantas outras comparações têm levado alguns irmãos a ficarem debaixo de condenação. Ao agirem assim, esses irmãos, mesmo sem perceberem, acabam caindo na cilada da insatisfação e da murmuração, que nada mais é do que justiça própria.

Não pense que pelo fato de Ana não ter tido filhos, isso significava que ela não tinha graça de Deus. Caso você não saiba, o significado do nome “Ana” é graça!

Se observarmos a vida de Ana saberemos que, ela era uma mulher casada e com um homem muito rico, próspero e que a amava. Seu marido subia todos os anos juntamente com ela para adorar ao Senhor.

As pessoas tendem a pensar que, pelo fato de você ter conquistas em uma área da sua vida, isso significa que você terá de ter vitória em tudo.

Houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita. Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha. Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Siló. Estavam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do SENHOR. No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril. (A sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o SENHOR lhe havia cerrado a madre.) E assim o fazia ele de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à Casa do SENHOR, a outra a irritava; pelo que chorava e não comia. (1Sm 1.1-7) Os obstáculos que Ana enfrentou

a) Foco no problema

Ana queria muito ser mãe, e isso é legítimo para toda mulher, mas não dependia somente dela. O foco de Ana se concentrava em sua esterilidade e isso produziu nela profunda tristeza e decepção.

Quando nos deparamos com irmãos como os do inicio da palavra, percebemos que eles enfrentam uma questão semelhante a de Ana. Apesar de estar cercado de bênçãos maravilhosas, apesar de ser tão favorecido por Deus e agraciado em tantas áreas de sua vida, não conseguem desfrutar nem da paz nem da alegria do Senhor pelo fato de seus olhos contemplarem somente a “esterilidade” de uma área de sua vida.

De repente, todo favor de Deus esvai-se por causa de um detalhe, de um desejo não atendido, de um alvo não alcançado, de uma “vontade” má resolvida.

b) Lidar com a bênção do outro

“[…] Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha” (1 Sm 1.2b).

Penso que esse é um grande desafio para todos nós, e foi para Ana também. O pastor Aluízio disse, certa vez, que chorar com os que choram é fácil, o difícil é alegrar com os que se alegram.

É frustrante quando aquilo que você mais deseja, Deus dá, primeiro, ao seu irmão. Abraão soube bem o que é isso!

“E, orando Abraão, sarou Deus Abimeleque, sua mulher e suas servas, de sorte que elas pudessem ter filhos”. (Gn 20.17)

Ele teve de orar pela esterilidade das mulheres da casa de Abimeleque, e elas tiveram filhos; entretanto, sua esposa ainda permanecia estéril.

Por que alguns recebem primeiro e outros depois?

Talvez alguém poderia concluir, porque ele com certeza é melhor do que eu ou ele é mais santo, por isso recebeu primeiro. Essas respostas revelam um coração cheio de merecimento próprio e autocondenação e é exatamente isso que nos tira debaixo do favor.

Não devemos permitir essas perguntas em nossos corações, precisamos continuar firmes na confissão da vitória, porque aquele que fez a promessa é fiel.

c) Tempo

“E assim o fazia ele de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à Casa do SENHOR…” (1 Sm 1.7).

Para muitos, esperar é um grande desafio; para outros, é fator até mesmo de frustração. O casamento de Ana aconteceu, a prosperidade veio, mas a gravidez demorou. Não permita que o “tempo” apague da sua memória as promessas feitas pelo Senhor.

Davi teve de esperar aproximadamente 15 anos para assumir todo o reinado de Israel, por isso disse: “Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl 40.1).

d) Último obstáculo que ela enfrentou foi justiça própria

“A sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o SENHOR lhe havia cerrado a madre”. (1Sm 1.6)

“Demorando-se ela no orar perante o SENHOR, passou Eli a observar-lhe o movimento dos lábios, porquanto Ana só no coração falava; seus lábios se moviam, porém não se lhe ouvia voz nenhuma; por isso, Eli a teve por embriagada e lhe disse: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti esse vinho! (1 Sm 1.12-14).

Observe que situação de Ana foi se agravando cada vez mais. Ela teve que lidar com a esterilidade e além disso, teve que aceitar a ideia de Penina ter filhos primeiro que ela.

A sua rival a provocara todos os dias. Não era fácil para ela lidar com tempo e a cada ano a ansiedade e aflição aumentava. O seu marido em um momento perguntou: “Não sou eu melhor que dez filhos”? Imagino que não deve ter sido fácil para ela ouvir ter que ouvir isso.

Ana chegou ao ponto de não querer mais comer e sua vida se resumia em chorar o dia todo, mas o golpe final foi quando lamentavelmente o sacerdote Eli a teve por embriagada. Ela foi mal interpretada pelas pessoas talvez que ela mais considerava. Isso foi um grande teste para ela.

Não faltaram motivos para ela se encher de justiça própria e condenação. Precisamos compreender que ao nos encher de justiça própria, perdemos o favor. Ana não caiu nesse erro, antes reconheceu Eli como seu senhor, como sua autoridade, posicionando-se em submissão.

Sua atitude de abrir mão da justiça própria e ainda clamar por favor a colocou na posição para receber o que tanta ela buscava

E disse ela: Ache a tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste. 1Sm 1.18.

A parte de Deus é dar, mas a nossa parte é apropriar.

Três coisas me chamam atenção na atitude no posicionamento dessa mulher.

1.Humildade – “Porém Ana respondeu: Não, senhor meu!”. (1Sm 1.15)

Diante do problema e das circunstâncias a nossa humildade é checada. Eli afirmou que Ana estava embriagada, quando na verdade ela estava orando.

Ela poderia ter se enchido de ressentimento e ter dado a resposta errada, mas ela escolheu continuar honrando sua autoridade mesmo sabendo que ela havia errado.

“Cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça. Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. (1Pe 5.5-7)

Humildade atrai favor, enquanto soberba o expele. Sabe quem Deus usou para liberar a palavra de vitória sobre a vida de Ana? O próprio Eli.

2. Ela clamou pela graça e o adorou – v.18 e 19

“E disse ela: Ache a tua serva mercê diante de ti. Assim, a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste. Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o SENHOR, e voltaram, e chegaram a sua casa, a Ramá. Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR,”. (1Sm.1:18 e 19)

Ao invés de se afundar ainda mais na tristeza e amargura de alma, ela decide ter uma atitude humilde chamando Eli de “senhor” e agora ela clama pela graça.

Ao clamar pela graça, ela estava esquecendo dos seus problemas e limitações e colocando sua confiança completamente no Senhor. Se existe alguma área da sua vida que é limitada, clame pela graça. O texto é claro em dizer que após ela clamar pela graça, ela se foi pelo caminho e comeu e a consequência foi que o seu semblante já não era triste.

Uau! Que poderoso isso. Enquanto Ana permitiu ansiedade e aflição tomar conta da sua mente, sua vida se resumia em choro e nem apetite ela tinha, mas quando ela se esqueceu de si e clamou pela graça até o seu semblante foi mudado.

Eu sei que não é fácil esquecer de uma limitação ou de uma grave enfermidade, mas decida hoje clamar pelo favor imerecido. Quando Ana retirou os olhos do seu problema e decidiu olhar para a promessa o milagre aconteceu.

Ana usou a madrugada para adorar o Senhor. Ela conseguiu adorar o Senhor, o que não nos é possível quando o nosso coração está pesado e focado nos problemas e nas circunstâncias que nos cercam.

Uma nova porta se abriu diante do louvor de Ana, e creio que uma nova porta se abre diante de nós nesses dias. Entre por essa porta através das ações de graça, reconhecendo as muitas áreas do favor de Deus na sua vida.

3. Ele teve fé

Levantaram-se de madrugada, e adoraram perante o SENHOR, e voltaram, e chegaram a sua casa, a Ramá. Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR. (1Sm 1.19)

Antes ela vivia amargurada e chorando pelos cantos. O seu semblante era de sofrimento, mas após receber graça a sua vida é mudada completamente. A bíblia diz que após eles adorarem ao Senhor, ela coabitou com seu marido, isso indica uma atitude de fé.

Ela creu naquilo que ela acabara de pedir. É no prazer que o milagre nasce. Volte a ter prazer no seu casamento. Volte a ter prazer na sua célula. Volte a ter prazer em viver.

O que atrai a atenção de Deus não é o nosso problema. O que atrai a atenção de Deus é a nossa fé. Infelizmente não conseguimos ter fé quando o nosso foco está no problema.

Conclusão

Nesta manhã, gostaria de convidar você a retirar seus olhos de sua

“esterilidade” para colocá-lo na graça do Senhor Jesus. Olhe para todo favor do Senhor já posto em sua vida e esteja certo de que Ele tem intercedido por você. Descanse na certeza de que o Senhor se lembrara do seu pedido.

Perguntas para compartilhar:

  • O que tem te impedido de ver o favor de Deus em sua vida?
  • Qual tem sido seu posicionamento diante as circunstâncias?