A obediência da fé

A obediência da fé

“Crer é a verdadeira obediência”

Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações. (Rm 16.25-26)

Paulo usa a expressão “meu evangelho” para se referir ao fato de que ele o recebeu diretamente de Deus. E, segundo esse evangelho, nós obedecemos por fé.

Muitas pessoas pensam que, porque pregamos a graça, não falamos de obediência, mas a verdade é que pregamos um novo nível de obediência, aquela que é pela fé. Não é obedecer à lei ou aos mandamentos, mas é obedecer pela fé.

No primeiro capítulo de Romanos, Paulo diz que ele recebeu o apostolado para a obediência pela fé. Por intermédio de quem viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência por fé, entre todos os gentios. (Rm 1.5)

Deus quer que você obedeça crendo. Crer é a verdadeira obediência. O desejo do Pai é que você viva a sua vida cristã por fé, não trabalhando na igreja para ser aceito ou fazendo coisas supostamente para Deus, mas crendo, e crendo corretamente, a Justiça vem por crer, quando você crê, você está obedecendo.

FAZER VERSUS CRER

Na lei, somos desafiados a fazer, mas na graça somos desafiados a crer. Lei e graça são opostos entre si assim como fazer e crer são antagônicos. Eles não podem ser colocados juntos, pois são diferentes como noite e o dia.

Ou vivemos pela lei ou vivemos pela graça, mas não podemos viver pelos dois. Ou nós vivemos pelas obras ou pela fé.

Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. Ora, Moisés escreveu que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela. Mas a justiça decorrente da fé assim diz […] (Rm 10.4-6)

Há dois tipos de justiça, uma é a justiça que procede da lei e a outra a que vem da fé. Uma é pelas obras, a pessoa tem de cumprir todos os mandamentos, então Deus a considera justa. Esta é a justiça da lei. A outra justiça procede da fé, quando o homem crê corretamente, Deus o declara justo.

A justiça da lei é baseada no fazer, nas obras. Paulo diz que o homem que praticar a justiça decorrente da lei viverá por ela, mas o justo segundo a Nova Aliança viverá pela fé. Ele viverá pela fé, e não pelo fazer das obras.

Muitos irmãos se frustram com a igreja pensando que a verdadeira vida cristã está em fazer coisas para Deus, note que fazer coisas é importante, certamente nós precisamos dos irmãos que arrumam as cadeiras, precisamos dos irmãos que organizam e montam as cantinas, dos irmãos que ajudam na cozinha do encontro, mas não é isso que te justifica, a justiça da fé está baseada em Crer.

JUSTIFICADOS PELA FÉ SEM AS OBRAS

O exemplo que Paulo nos dá de um homem justificado pela fé é Abraão. Deus o estabeleceu como exemplo de como os crentes devem andar.

O que havia em Abraão que o levou a receber tão grandiosas bênçãos das quais até hoje os seus descendentes desfrutam?

Alguns dirão que foi a sua santidade e obediência cumprindo toda a lei de Deus. O problema é que Abraão viveu quatrocentos anos antes de a lei ser dada. Ele não sabia nada a respeito dos mandamentos que nós conhecemos hoje, mas mesmo assim a Bíblia diz que ele foi amigo de Deus.

Na verdade, se observarmos bem, veremos que ele falhou em cumprir os mandamentos. Por duas vezes, ele mentiu a respeito de sua esposa, dizendo que era sua irmã.

Exemplo de Abraão. Gn 12: 10 a 20 e Gn 20: 1 a 18

Apesar disso, Deus puniu os reis ímpios. Abraão tinha errado, mas mesmo assim Deus o protegeu. O que ele conheceu que precisamos conhecer hoje também?

Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. (Rm 4.1-5)

No momento em que Abraão creu em Deus, ele foi declarado justo. Não foi pelas suas obras ou pela sua obediência, mas unicamente por crer.

A FÉ NO DEUS QUE JUSTIFICA O ÍMPIO

Paulo, então, usa a ilustração do trabalhador. Para aquele que possui obras, o salário é uma dívida, porque ele o merece. Deus, porém, não deve nada a homem nenhum. Quem trabalhou não precisa da graça, só da justiça.

Mas aquele que não trabalhou não pode reivindicar o salário e, se ele vier a receber, será sem merecer, ou seja, será pela graça. E, quando o que não trabalhou crê no Deus que justifica o ímpio, essa fé lhe é atribuída como justiça.

Se Deus justificar o bom trabalhador piedoso, isso pareceria justo e apropriado, mas a verdade é que Deus quer justificar o trabalhador que não trabalhou, o ímpio.

O Filho já fez todo o trabalho e nós agora podemos receber pelo que Ele fez. Deus, então, é justo em pagar pelo trabalho, porque ele, de fato, foi feito. Mas o trabalhador ímpio recebe unicamente porque crê que o trabalho está feito.

Que tipo de fé nos faz ser justos diante de Deus? É a fé que Deus justifica o ímpio.

Sabe por que a sua fé não tem funcionado? Porque você crê que Deus justifica quem se esforça para ser bom. Sua fé está equivocada, ainda que bastante lógica.

Em qual base Deus justifica o ímpio? Não pode ser com base na sua bondade ou obediência, pois afinal ele é ímpio. É baseado na obra de outro, na obra de Jesus.

Todavia, quando esse ímpio crê na graça de que pode receber pelo trabalho de outro, ele é declarado justo. É justo apenas porque creu corretamente.

FAZER VERSUS FALAR

Esse princípio de fazer versus crer e fazer versus falar está presente em todo o Novo Testamento.

E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá. (Gl 3.11-12)

O texto diz claramente que o princípio da lei é fazer. A lei não é pela fé, e o fazer se opõe a crer.

Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão. (Gl 3.7 e 9)

Os abençoados são os que creem como Abraão. O texto fala do crente Abraão, e não do obediente Abraão ou do trabalhador Abraão. Os da fé é que são abençoados, pois somente eles podem ser declarados justos, e somente justos podem ser abençoados.

Somos filhos de Abraão quando cremos. E ser filho de Abraão significa ser participante de toda sorte de bênção espiritual. Em Lucas 13, temos uma história que ilustra essa verdade.

Ora, ensinava Jesus no sábado numa das sinagogas. E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se. Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus. O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado. Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? (Lc 13.10-16)

Os médicos podem dar um nome para a enfermidade daquela mulher, mas a Palavra de Deus diz que era um espírito de enfermidade. Ela não conseguia ficar ereta e certamente reconhecia as pessoas pelos pés. Por dezoito anos, não podia olhar as pessoas na face.

O Senhor estava ensinando na sinagoga e, depois de ouvi-lo, a mulher ganhou fé, pois a fé vem pelo ouvir. No momento em que ela creu, os olhos do Senhor vieram sobre ela.

É a nossa fé que atrai a atenção de Deus, e não as nossas lutas. Deus é movido por fé, e não por necessidades. Por dezoito anos, Deus a amava e se importava com ela, mas nada aconteceu. Todavia, no dia em que ela creu, o milagre veio.

E no momento em que ela creu, o Senhor diz que ela era uma filha de Abraão. É a fé que nos faz filhos de Abraão. Se vivemos como filhos de Abraão, iremos atrair a atenção do Senhor e desfrutaremos da bênção.

Aquela mulher havia estado dezoito anos debaixo da opressão de satanás, mas, no momento em que ela creu, o Senhor não permitiu que ficasse mais debaixo de maldição.

Nós sabemos que a fé vem pelo ouvir, mas não ouvir de qualquer forma, antes se trata de um ouvir disposto a crer. Os fariseus também estavam ouvindo o Senhor, mas a mulher ganhou porque ouviu com um tipo de coração que gera fé.

A fé que move Deus é a fé que crê que Deus justifica o ímpio, o Deus que dá sem merecermos, o Deus que opera baseado unicamente em sua graça. Quando cremos que o Senhor é a nossa justiça e nos achegamos confiados não em nossa obediência e obras, mas unicamente crendo no favor imerecido, então recebemos como filhos de Abraão.

PERGUNTAS PARA COMPARTILHAR:

  1. De que forma você tem vivido suas lutas?
  2. Como a fé por obediência tem sido parte de sua vida?