Pregue a Graça

Pregue a Graça

“Uma base fundamental da Nova Aliança é entender que fomos inseridos em uma obra já consumada”

A verdadeira mensagem do evangelho é algo sobrenatural. Não tente entendê-la de forma natural. O sobrenatural é quando Deus diz que eu sou justo em Cristo mesmo que eu ainda não veja a justiça em mim.

Pregar a graça é pregar algo invisível que somente pode ser recebido pela . Gostaria de compartilhar cinco atitudes que vão guardá-lo de sair da graça.

1º Pregue para reforçar a identidade, e não para lançar dúvida

A primeira coisa que a graça nos mostra é que jamais questionamos a identidade de um filho de Deus. Você transmite graça quando reafirma a identidade, e não quando a questiona.

Em Mateus 3, o Pai falou: “Tu és o meu Filho amado”, mas no capítulo 4, o diabo questionou: “Eu acho que você não é, você não se parece com um filho. Se você é Filho de Deus, prove!”

Deus Pai afirmou a identidade do Filho, mas o diabo sempre a questiona. Não importa a situação ou circunstância, lembre-se de que a sua identidade nunca muda. Você é um filho amado de Deus.

Nunca deveríamos questionar nossa identidade nem a de nossos irmãos. É claro que temos de exortar, mas isso deve sempre ser em função da identidade. É preciso reforçar o senso de identidade. Qual é a sua principal identidade? Nós somos filhos de Deus.

Uma base fundamental da Nova Aliança é entender que fomos inseridos em uma obra já consumada. Tudo aquilo que diz respeito à nossa redenção foi terminado no Calvário quando o Senhor disse: “Está consumado!”

No Velho Testamento, o jardim do Éden é uma alegoria da obra consumada. No sexto dia, Deus consumou toda a sua obra de criação. Ele, então, colocou o homem no Éden. O homem não foi colocado ali para ajudar Deus a terminar a obra, mas apenas para cultivar e guardar.

Foi Deus quem plantou o jardim, e não o homem. Eu creio que Deus trouxe a igreja hoje a essa mesma posição. Não somos chamados para terminar a obra,

antes fomos introduzidos numa obra já consumada e, como Adão, somos designados apenas para cultivar e guardá-la.

Para que o homem pudesse cultivar e guardar, o Senhor disse que ele deveria dominar e sujeitar a criação. Hoje também recebemos autoridade para sujeitar e dominar sobre as obras do diabo, mas fazemos isso guardando e cultivando a obra que já foi consumada na cruz.

O alvo do diabo é fazer com que o homem saia da posição da obra consumada, assim como era o seu objetivo, que o homem saísse do Éden.

Como ele fez isso? Ele tentou o homem a se tornar o que ele já era. O homem já era imagem e semelhança de Deus, mas o diabo o enganou dizendo que, se comesse do fruto, se tornaria como Deus.

Hoje o inimigo usa a mesma estratégia. Você já é justo, mas ele tenta convencê-lo de que você precisa fazer algo para se tornar justo.

Ele quer que você duvide que já é para que então tente se tornar pela sua força aquilo que Deus diz que você já é. Quando agimos assim, desprezamos a obra consumada e decaímos da graça.

Quando Adão caiu no pecado, ele já não estava guardando a obra consumada. Por causa disso, ele foi expulso do jardim e agora deveria lavrar a terra de que fora formado.

O que você prefere, guardar o jardim ou lavrar a terra? A terra é de onde nossa carne foi formada e lavrá-la significa viver pelo seu esforço próprio.

2º Pregue o que Deus faz por nós, e não autoajuda

Quando o anjo veio anunciar o nascimento do Senhor, ele disse que o seu nome seria “Salvador”, literalmente “Yeshua”. Não é que Ele veio nos ensinar um caminho de como ser salvo, Ele veio para nos salvar.

Esta é uma diferença entre a lei e a graça. Quando pregamos a lei, nós dizemos às pessoas o que elas precisam fazer, mas quando pregamos a graça, nós falamos do que o Senhor faz por nós.

O Senhor Jesus, em João 3, diz que “do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3.14-15).

Ele estava se referindo ao acontecimento registrado em Números 21. Quando o povo de Israel vinha no deserto, eles começaram a murmurar e então Deus permitiu que viessem serpentes venenosas no meio deles.

Deus mandou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e a colocasse na ponta de uma haste. Qualquer um que olhasse para a serpente seria imediatamente curado.

Parece incrível, mas Deus não fez nada com as cobras. Elas continuaram lá, mas agora elas não podiam fazer nada contra o povo. Nós queremos fazer coisas, mas Deus diz para olharmos para a cruz. Se apenas contemplarmos o Senhor, toda força do diabo contra nós será desfeita. Isso é evangelho.

3º Pregue para trazer uma expectativa confiante, e não para gerar medo

A vontade de Deus é que tenhamos uma forte expectativa de que coisas boas estão por acontecer. Não podemos viver uma vida abundante se não temos uma expectativa confiante de que grandes bênçãos estão nos alcançando.

Aqueles que não acreditam que podem ter certeza da salvação vivem sempre com medo do amanhã, mas mesmo os que creem na certeza da salvação podem se sentir inseguros por causa do ensino da semeadura e colheita.

Hoje, porém, o seu coração será cheio da esperança da salvação. Você será feliz e “tudo te irá bem”.

4º Pregue a palavra da reconciliação, e não a palavra da condenação

Sempre que um pregador quer parecer sério, ele se torna condenador pregando a ira de Deus. No entanto, Paulo diz que nós fomos reconciliados com Deus e recebemos o ministério da reconciliação (2Co 5.17-21 – E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.).

O ministério da reconciliação é pregar às pessoas que Deus não está imputando aos homens as suas transgressões. Precisamos contar a elas que a dívida foi paga, os pecados foram perdoados e tudo o que precisam fazer é receber o perdão.

Mas muitos insistem em pregar a ira de Deus. A ira de Deus ainda não foi derramada sobre os homens. Tudo de ruim e toda calamidade é obra do diabo. É claro que haverá o dia do Senhor, mas esse dia não chegou ainda.

Indo para Nazaré, onde fora criado, entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. Então, lhe deram o livro do profeta Isaías, e, abrindo o livro, achou o lugar onde estava escrito: O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. Tendo fechado o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e todos na sinagoga tinham os olhos fitos nele. Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. (Lc 4.16-21)

O Senhor Jesus fez uma citação da profecia de Isaías 61, mas Ele deliberadamente fechou o livro e deixou de ler a última afirmação do texto. Isaías diz: “O Senhor me ungiu para […] apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus”. O Senhor Jesus disse naquele dia que Ele veio apenas para apregoar o ano aceitável do Senhor.

A segunda vinda do Senhor será o dia da vingança do nosso Deus, mas hoje ainda estamos debaixo do ministério da reconciliação. A nossa pregação ainda é que, onde abundou o pecado, superabundou a graça de Deus. Certa vez, o Senhor Jesus entrou numa aldeia de samaritanos e foi rejeitado.

Tiago e João ficaram indignados e perguntaram ao Senhor se ele queria que eles mandassem vir fogo do céu sobre aqueles homens. A resposta do Senhor foi clara: o Filho do Homem não veio para condenar e destruir os homens, mas para salvá-los (Lc 9.52-56).

5º Pregue para transmitir graça (Ef 4.29-30)

O texto de Efésios 4 diz para não sair de nossa boca nenhuma palavra torpe. Torpe não significa apenas palavra suja ou obscena. Claro que isso é torpe também, mas torpe no original grego significa “algo que foi corrompido por alguém e não é mais próprio para o uso, gasto, de qualidade pobre, ruim, impróprio para o uso, sem valor”.

Como podemos transmitir graça? Transmitimos graça quando falamos para edificar, e não para destruir ou condenar. Graça significa favor imerecido. Assim, nós transmitimos graça quando falamos algo bom que o outro não merece ouvir.

Sempre que falamos algo que não procede da graça, nós entristecemos o Espírito Santo. Quando alguém nos amaldiçoa e nós em troca o abençoamos,

estamos dando-lhe favor imerecido. Isso alegra o Espírito, e quando o Espírito se alegra, nós somos fortalecidos.

Para transmitir graça, algumas vezes precisamos sentir como os outros, precisamos ter empatia com ele.

Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna. (Hb 4.15-16)

A palavra “compadecer-se” no grego é sumpatheo, que significa “compartilhar do mesmo sentimento do outro, sentir como o outro sente”. Muito próximo do sentido da palavra “empatia” em português. O Senhor é tocado pelas nossas fraquezas, não apenas pelas nossas vitórias.

Parece inacreditável, mas a Bíblia diz que Ele sente todas essas coisas conosco, por isso se compadece e assim temos ousadia para chegar diante do trono da graça.

Em João 11.32, lemos que o Senhor já tinha planejado ressuscitar Lázaro, mas mesmo assim Ele chorou quando Maria chorou. Ele está para ressuscitar o morto e mesmo assim entrou na dor dela.

Creio que o Senhor é o mesmo hoje. Quando Ele sente o que sentimos, nós somos libertos. Agir na graça é fazer do mesmo modo. Nós procuramos sentir a dor das pessoas, mesmo quando sabemos o que faremos em seguida.

Quando os filhos de Israel eram escravos no Egito, a Palavra de Deus descreve que eles estavam na fornalha da aflição (Dt 4.20). E como Deus apareceu a Moisés?

Numa sarça que queimava, mas não se consumia. O povo estava na fornalha, mas não tinha sido consumido. Deus sempre vem ao nosso encontro onde estamos. Se o povo está na fornalha, Ele sente o fogo. Ele não fica indiferente na sua glória (Is 63.9).

Em todos os nossos sofrimentos, o Senhor sofre conosco. Isso é amor. A expressão máxima dessa verdade foi na cruz, onde o Senhor sofreu toda a nossa condenação. Sofrendo o que sofremos, Ele nos libertou.

É interessante que, enquanto o povo habitava em tendas no deserto, Deus mandou que a sua casa fosse também uma tenda chamada Tabernáculo. A casa de um judeu naquele tempo tinha a mesma estrutura do Tabernáculo.

Havia uma parte externa, onde as pessoas vinham para visitar; depois, uma parte mais íntima, onde se faziam as refeições e as crianças ficavam; e depois havia o

quarto do casal, o lugar onde ninguém podia entrar. O Tabernáculo também tinha três partes: o Átrio, o Lugar santo e o Santo dos Santos.

Ele sempre vem até onde estamos. Ele sofre o que sofremos e sente o que sentimos. Quando o povo foi entrar em Canaã, eles se tornaram como um exército.

E como o Senhor apareceu a Josué? Como um guerreiro com a sua espada levantada (Js 5.13). Depois de muito tempo, quando a nação estava estabelecida, Deus também se mudou para uma casa, o Templo.

Deus ama tanto se identificar conosco que por fim Ele próprio se fez homem em Cristo Jesus. Ele se apresenta como o bom Pastor, mas Apocalipse 7 diz que o Cordeiro é que nos apascentará. Ele é o bom Pastor, mas se torna um Cordeiro para nos apascentar.

Pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Ap 7.17)

Mas isso ainda não foi o fim. Deus queria uma intimidade ainda maior. Por isso, no dia de Pentecostes, Ele veio para habitar dentro de nós na pessoa do Espírito Santo. Agora, em todo lugar para onde vou, Ele vai comigo.